O panorama corporativo brasileiro é, para o observador desinteressado, um espetáculo peculiar. É como um vasto e complexo sistema digestório onde as ideias, como alimentos processados, entram por uma extremidade e, com sorte, saem como dividendos pela outra, não sem antes passarem por uma série de transformações químicas, físicas e, invariavelmente, burocráticas. O sucesso aqui raramente se resume à mera competência; é uma intrincada coreografia de egos inflados, ambições desenfreadas e a estranha predisposição de certos indivíduos a insistir que o teto da sala de reuniões precisa ser da cor 'bege desbotado de quinta-feira chuvosa'. E no centro de tudo isso, o executivo: um ser cuja estabilidade pode ser tão frágil quanto um castelo de cartas erguido sobre uma mesa de cirurgia em meio a um terremoto de magnitude sete. Semelhante, em muitos aspectos, à estrutura cristalina de certos minerais que parecem sólidos, mas se desintegram com a menor vibração da respiração de um fiscal.
E assim, inevitavelmente, observamos. Não com um anseio de moralidade – a moralidade, afinal, é um conceito notoriamente elusivo em salas de reunião – mas com o desprendimento de um entomologista estudando o comportamento de cupins em uma viga mestra. Quando o momento exige decisões de peso sísmico, como a fusão de duas corporações que se detestam mutuamente ou a escolha de um novo líder cujo principal atributo pareça ser a capacidade de não tropeçar nos próprios pés ao caminhar, a análise superficial de um currículo é tão esclarecedora quanto tentar inferir a complexidade do universo observando a lama que escorre de uma calha. É nessas ocasiões que a Avaliação Psicossocial Forense para Executivos faz sua entrada, não com pompas ou promessas de nirvana corporativo, mas como o equivalente intelectual a colocar um pedaço de fita adesiva num cano que acaba de estourar. É uma tentativa bastante razoável de manter o essencial no lugar.
Sobre a Anatomia Indecifrável de um Executivo
Ao contrário da maioria das avaliações que, francamente, parecem contentar-se em catalogar a preferência do sujeito por café coado ou expresso e sua destreza em preencher formulários com um certo ar de autoridade, a abordagem forense mergulha um pouco mais fundo. Não é apenas uma questão de desmontar um relógio suíço para ver suas engrenagens; é a compulsão quase obsessiva de entender por que o artesão decidiu que aquela minúscula mola em espiral seria mais adequada do que, digamos, um pedaço de barbante molhado, e qual seria o efeito de substituí-la por um caramelo. Buscamos decifrar os algoritmos ocultos que regem o comportamento quando a pressão alcança níveis que fariam até uma partícula subatômica considerar uma aposentadoria antecipada, a lógica por trás de decisões tomadas com base em dados que seriam, na melhor das hipóteses, fabricados por uma criança imaginária e, na pior, completamente inexistentes, e a insólita capacidade de resistir a estressores que levariam um motor diesel à beira de um colapso nervoso. A questão, portanto, não é se o executivo em questão é 'adequado', mas sim o complexo e muitas vezes inexplicável encadeamento de eventos que o leva a acreditar que é 'adequado' – ou, o que é mais fascinante, 'pragmaticamente inconsequente'.
Sobre o Brasil e a Necessidade de um Bom Desfibrilador Cerebral
O ambiente de negócios brasileiro, por uma série de razões que seriam longas demais para detalhar aqui e provavelmente envolveriam diagramas complexos em guardanapos molhados, constitui um capítulo à parte na grande e frequentemente incompreendida Enciclopédia da Improvável Complexidade. É um lugar onde a burocracia pode ser mais densa que o núcleo de uma estrela anã branca, e as sutilezas culturais se desdobram com a previsibilidade de um gato prestes a derrubar um vaso. Um executivo, neste teatro de absurdos bem-intencionados, necessita de algo além da mera competência técnica; ele precisa de uma capacidade quase paranormal de antecipar o pânico antes que ele se manifeste, e um sistema de valores que permaneça funcional mesmo quando a realidade insiste em apresentar-se de forma francamente distorcida. Isso me lembra, curiosamente, de um estudo fascinante sobre a capacidade de certas espécies de bolores de se adaptar a ambientes onde a única fonte de nutrição disponível era, essencialmente, a própria sombra. Em vez de simplesmente desistir, eles desenvolviam, ao longo de várias gerações, uma espécie de otimismo bioquímico e uma capacidade notável de extrair energia de interações sociais infrutíferas. A Avaliação Psicossocial Forense, nesse caldo cultural e corporativo, não é apenas um selo de aprovação; é um esforço heroico para determinar se o indivíduo é capaz de não se desintegrar completamente ao se deparar com um labirinto onde as saídas são, na maioria das vezes, apenas entradas para labirintos ainda mais intrincados, e onde a própria noção de 'parede' é uma sugestão bastante flexível. E, para ser perfeitamente honesto, às vezes até o labirinto decide que não quer mais ser um labirinto.
Nossa metodologia, administrada por psicólogos que, após anos de observação atenta, desenvolveram uma imunidade notável à surpresa — uma característica que, confesso, tem um valor de mercado incalculável em tempos de noticiários matinais —, emprega um arsenal de técnicas tão avançadas que beiram a arte de adivinhar o futuro. As entrevistas são conduzidas com uma profundidade tal que o sujeito avaliado, em raras ocasiões, já foi flagrado questionando a validade de sua própria certidão de nascimento – tudo, é claro, sob os mais rigorosos preceitos de discrição. Pois o que menos se deseja é que a egrégia reputação de um CEO seja maculada pela inoportuna descoberta de sua paixão secreta por novelos de lã ou, o que é mais grave, seu inexplicável pavor de bules de chá. O objetivo, em última análise, é equipar conselhos com informações que lhes permitam prever, com uma margem de erro que consideramos mais um 'charme' do que uma falha, a probabilidade de um iceberg colidir com o navio antes mesmo que os planos para sua construção tenham sido aprovados. Isso, teoricamente, levaria a menos contratempos e, talvez, a uns trocados a mais no fim do mês. Porque, como bem sabemos, a verdadeira questão da prosperidade, especialmente no Brasil, não é se você tem as respostas corretas, mas sim se você sabe onde as perguntas deveriam ter sido feitas para começar.