[ ARITMÉTICA // O DIA NÃO ESTICA ]
O dia tem 24 horas.
O sistema consome 26.
O empresário olha a agenda e faz a conta de cabeça. Reunião de alinhamento às 8h.
Fornecedor às 10h. Almoço que era pra ser de trinta minutos (e que você sabe que vai
virar mais de 1h fácil). Aprovar folha, aprovar compra, aprovar o toner da impressora —
um sujeito que fatura oito dígitos passando a tarde decidindo sobre um cartucho de R$ 340.
A conta não fecha. Então de onde sai a diferença? Sai do sono. Sai do domingo. Sai da
atenção que sobraria pra decisão de sete dígitos que apareceu na quinta e ficou pra
depois. O corpo empresta o que a agenda não tem — e cobra juros, sempre, com o suor frio
colando a camisa de linho no ar-condicionado a 19°C, com o gosto de ferro na boca quando
a pressão despenca no meio da apresentação.
Isso não é falta de disciplina. É desenho errado de operação. E desenho se corrige.